Não era a hora

“Não era a hora” é o que eu tou falando pra mim mesmo. Tou me enganando, eu sei. Essa mensagem é pra todos que votaram no Serra. Só pra vocês mesmo, o resto vai jogar Happy Wheels, ok?

Todo jogo é assim: às vezes a gente ganha, às vezes a gente perde. Eleição é sim um jogo. Agora no segundo turno tínhamos dois lados, cada um querendo ganhar. Nosso time perdeu e isso abalou a nossa esperança num Brasil melhor. Mas, amigos que votaram no Serra, saibam que vocês escolheram o melhor candidato. E nem sempre o melhor candidato ganha. No Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. Vocês fizeram todo o possível.

Ergam a cabeça e amanhã sigam normalmente com suas vidas. Perdemos, mas lutamos até o último minuto, até o último esforço. E é esse mesmo ingrediente que está presente nas vitórias dramáticas e nas derrotas honrosas.

Um forte abraço a todos.

Hora de escolher

Imagina que tem uma vaga de emprego. Dois candidatos. Você é o Diretor de RH da empresa e vai escolher.

Um candidato tem 40 anos de experiência, passou por vários processos seletivos, ganhou muitos e saiu de um emprego sempre pra outro melhor. Tem um currículo invejável, já passou até por essa empresa, mas num cargo menor, e mostrou muito trabalho.

O outro candidato tem um currículo pífio, experiência mínima pra quem quer ocupar um cargo desse tamanho, só arrumou outros empregos por indicação. Em alguns que ocupou, mostrou que não é bom gestor. Por que um candidato assim ainda teria a coragem de concorrer com o outro? Porque está sendo indicado pelo dono da empresa.

Agora, me diz: quem merece mais o emprego?

Olha, ninguém que tá lendo isso é mongolóide pra não reconhecer que eu tou fazendo uma metáfora com a eleição que ocorre amanhã. Mas a coisa não é muito diferente disso: amanhã você escolhe pra quem vai dar esse emprego durante os próximos quatro anos. Só tem duas opções (eu sei que você pode votar nulo, mas um deles vai ganhar invariavelmente, então…): Serra ou Dilma.

Acho irrelevante falar de “infância pobre, batalhou desde criança pra trabalhar” etc., porque isso, por si só não qualifica ninguém pra ser governante.

De um lado tem a Dilma: nunca disputou eleição, e ocupou alguns cargos importantes (e públicos na vida). Nenhum deles foi eletivo, todos por indicação. Esses são o que ela mais destaca: Secretária de Finanças de Porto Alegre, Presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Ministra de Minas e Energia e Ministra da Casa Civil.

Como Secretária de Finanças de Porto Alegre, a Dilma quebrou a cidade. O secretário que assumiu logo após ela disse que não tinha dinheiro em caixa nem pra pagar funcionário ou recolher o lixo nas ruas. Mas, tudo bem, ninguém é perfeito, né?

Presidente do Conselho de Administração da Petrobras: melhor do que eu falar, é uma ex-funcionária da Petrobras explicar como eram as coisas por lá. Veja esse vídeo (o tumblr não tá me deixando embutir os vídeos, então, vocês vão ter que clicar nos links).

A Dilma foi Ministra de Minas e Energia durante o boom de escândalos do Governo Lula. E lá estava ela defendendo os mensaleiros. Foi até testemunha de defesa do José Dirceu. Que era Ministro da Casa Civil e caiu por causa do escândalo.

Ministra da Casa Civil: enquanto a Dilma estava lá (assumiu após a queda do José Dirceu), “criaram” o PAC. O PAC é uma lista de obras, que envolve TUDO o que pode levar o Brasil a se desenvolver. O problema é o seguinte: tem obra ali que vem desde a redemocratização do Brasil, e a Dilma coloca como sendo deles. As obras que começaram no governo Lula estão atrasadas ou sequer começaram (pesquisem, não vou entregar todo o ouro aqui).

Aí a Dilma teve que sair do cargo por causa da eleição. Deixou o braço direito dela no lugar: Erenice Guerra. Essa todo mundo ouviu falar, não vou nem me dar o trabalho.

Resumidamente, essa é TODA a vida pública da Dilma.

Do outro lado, você tem um homem com 40 ANOS de vida pública. Ele foi líder estudantil? Foi sim. Mas isso, por si só, não qualifica alguém pra ser governante. Serra foi pro exílio no Chile, por conta da ditadura no Brasil. Teve ditadura no Chile também, o Serra foi preso e exilado (agora de lá). Mas isso, por si só, não qualifica ninguém pra ser governante, certo? Vamos pra parte que importa mais:

Serra foi Secretário de Planejamento de Franco Montoro, que ganhou as primeiras eleições diretas pra governador (isso foi em 1982) desde 1965. A oposição ganhou em SP (Montoro), RJ (Brizola) e MG (Tancredo Neves, o avô do Aécio Neves). O estado de São Paulo andava meio quebrado, financeiramente, e o Serra, em parceria com o Secretário da Fazenda (João Sayad), deu um jeito nas finanças. A primeira experiência do Serra foi como a da Dilma, só que ao contrário.

(na propaganda eleitoral, não tratam muito dessa fase porque foi um cargo menor, mas acho importante comparar, já que eram funções parecidas que os dois ocuparam)

O cargo seguinte (público) que o Serra ocupou foi de deputado constituinte. Aqui o Serra não entrou por indicação. Foi eleito com mais de 160 mil votos. Na Assembléia Constituinte, apresentou 208 emendas. Conseguiu aprovar 130. Uma delas foi o FAT (Fundo de Ampapo ao Trabalhador), que permitiu tirar do papel o seguro-desemprego. Serra foi considerado o melhor deputado constituinte. O povo reconheceu seu emprego e o reelegeu com 340 mil votos em 1990. Uma coisa importante que não pode deixar de ser mencionada: o PT da Dilma se recusou a assinar a Constituição.

1993 e 94 foram anos importantes pro Brasil. Anos da implantação do Plano Real. O presidente era o Itamar Franco (senador eleito por Minas Gerais e apóia o Serra), o Ministro da Fazenda era Fernando Henrique Cardoso, a cabeça por trás do Plano Real. O Serra é doutor em Economia (fez doutorado no Chile) e fez parte da equipe do Fernando Henrique.

Muitos de vocês não eram nascidos ou eram novos demais pra lembrar como era antes do Plano Real. Hoje nós temos 5% de inflação ao ano. Naquela época, tínhamos isso por semana. Imaginem: você ia comprar uma coisa por 100 mil cruzeiros (à grosso modo, o equivalente a 100 reais hoje) no dia 1º de novembro. Digamos que fosse algo que você consome todo mês. Você ia lá comprar também no dia 1º de dezembro, depois de ter recebido seu salário etc: ela custava 120 mil cruzeiros. Imagina viver desse jeito. Esse era o dia-a-dia dos seus pais e avós. Com a inflação controlada e com uma moeda forte (coisa que o Brasil NUNCA teve antes disso), nesses dois anos, foram tirados mais brasileiros da linha de pobreza do que nos 8 anos do governo Lula. Podem pesquisar. Sabe quem foi contra a implantação do Plano Real? O PT da Dilma.

Com o sucesso inegável do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente em 94. Serra foi eleito Senador por São Paulo. Mas Fernando Henrique, sabendo da sua excelência técnica, chamou ele pra ser Ministro do Planejamento (95-96). Lá o Serra criou o “Brasil em Ação”, o que iniciou (e não reaproveitou) uma série de grandes obras para reestruturação do país, que agora tinha uma economia sólida, em parceria com municípios e estados. A lista de obras é muito grande, pesquisem.

Serra deixou o ministério em 96 pra concorrer à Prefeitura de São Paulo. Perdeu pro Celso Pitta, aquele do PT, que o Maluf apoiava, e que foi preso um dia desses.

Depois disso, voltou pro Senado, onde passou mais dois anos.

Em 98, com a releição de Fernando Henrique, Serra foi chamado pra ser Ministro da Saúde. Genéricos, Bolsa Alimentação, os mutirões, Programa de Saúde da Família, a criação da Agência Nacional de Vigiância Sanitária (ANVISA) e da Agência Nacional de Saúde (ANS), tratamento gratuito pra AIDS gratuito (considerado o melhor programa do gênero no mundo) são só ALGUMAS das realizações do Serra nesses 4 anos. Em 2002, a revista World Link, incluiu o Serra no “Ministério dos Sonhos”, lista que inclui os melhores ministros do mundo, cada qual em sua área (essa revista é do Fórum Ecônomico Mundial).

Em 2004, Serra foi eleito Prefeito de São Paulo. Pegou a prefeitura quebrada, que a Marta Suplicy e o PT deixaram. Mais uma vez, Serra deu um jeito (a lista de feitos é muito grande, pesquisem). Foi o prefeito mais bem avaliado que São Paulo já teve. São Paulo pediu e o Serra foi candidato a governador em 2006. Se elegeu no primeiro turno. Deixou como prefeito o Kassab, que continuou o trabalho do Serra, e se elegeu em 2008.

As realizações do Serra como governador de São Paulo, como sempre, são muitas. Na educação (São Paulo foi o estado que mais cresceu no IDEB), na saúde (10 novos hospitais, Ambulatórios Médicos de Especialidades - AMEs), transportes (maior expansão da história do metrô), segurança (são paulo hoje ocupa a 26º posição, numa lista de 27 e é o segundo menor estado na taxa de homicídios do país), etc. É um dos governadores mais bem avaliados.

Ao fim do mandato de governador, o Serra se lançou candidato à presidência. E aqui estamos nós. Eu resumi MUITO os 40 anos de vida pública do Serra, poderia passar dias aqui escrevendo, mas não temos mais tempo.

Agora me diz: quem merece mais?

Amanhã você não vai votar em alguém pra ser seu amigo, seu companheiro de balada, ou goleiro do seu time de pelada. Amanhã você vai votar pra presidente, o cargo mais importante na República. Achar os candidatos chatos, feios, sisudos, gordos, carecas, não faz diferença. O que faz diferença é a lista de realizações que cada um deles tem. A experiência, o preparo. O que cada um vai fazer pelo Brasil. Ser presidente não é nada trivial. O presidente vai enfrentar uma série de desafios, e assim como tudo na vida, quem está mais preparado tem mais condições de vencê-los.

Um líder não surge da noite pro dia.